Terceira onda da IA atinge o core business das empresas brasileiras, aponta AWS
Resumo executivo
A AWS avalia que a IA no Brasil entrou na terceira onda, migrando de pilotos e copilotos de produtividade para agentes e modelos aplicados diretamente ao core operacional, comercial e industrial. Para C-levels, a mensagem é objetiva: a disputa saiu do laboratório e passou a ser por escala, custo por transação e integração com dados proprietários.
3 impactos diretos no negócio
-
Do suporte à receita: IA deixa áreas de apoio e passa a decidir e executar em crédito, pricing, supply, atendimento e manutenção. O KPI muda de horas economizadas para margem, conversão, churn e uptime.
-
Modernização forçada de dados e legado: sem base unificada, governada e em tempo real, agentes não escalam. Isso empurra investimentos em cloud, data lakehouse, APIs e saneamento de dados mestres como pré-requisito de P&L, não como projeto de TI.
-
Pressão por industrialização e FinOps de IA: custo de inferência, latência, segurança e auditoria viram variáveis de board. Empresas que não definem arquitetura padrão, guardrails e modelo de retorno por caso de uso tendem a travar em dezenas de pilotos caros sem escala.
Análise estratégica OQueVem.ai
A tese da terceira onda apresentada no NeoSummit é consistente com o movimento global da AWS em torno de Bedrock, agentes e modernização. Primeira onda foi experimentação com LLMs generativos. Segunda foi produtividade com RAG e assistentes. Terceira é automação orientada a resultado em processos críticos, com agentes orquestrando múltiplos sistemas, regras de negócio e intervenção humana sob controle.
No Brasil, isso tem contorno específico. Bancos, varejistas, telcos, agro e indústria operam com alto volume, margens apertadas e legados complexos. Aplicar IA no core significa conectar modelos a ERPs, CRMs, core bancário, MES e sistemas logísticos, com exigências de LGPD, trilha de auditoria e resiliência. Não é plug-and-play.
Para o C-level, a implicação prática é tripla. Primeiro, priorização: escolher 3 a 5 jornadas core com ROI claro em 6 a 12 meses, em vez de pulverizar iniciativas. Segundo, plataforma: padronizar dados, identidade, observabilidade e segurança para IA, com ownership entre negócio, tecnologia e finanças. Terceiro, talento e operação: redesenhar funções, metas e controles, porque agente no core muda alçada decisória e risco operacional.
O risco não é ficar para trás na tecnologia, é ficar preso no meio: custo cloud e de modelos subindo sem retorno proporcional. Quem tratar terceira onda como projeto de inovação vai perder para quem tratar como transformação operacional com dono no comitê executivo.