Uma das maiores reivindicações dos jogadores contra o fim da mídia física do PlayStation anunciado pela Sony é justamente a preservação. Jogos digitais estão sujeitos aos termos de serviço de plataformas digitais, que
podem retirá-los da loja e, em alguns casos, até da biblioteca do jogador
.
Em agosto de 2026,
a
Sony relembrou aos jogadores que jogos digitais são apenas "aluguel"
. Em 2025, foi a vez da Microsoft avisar que os jogos digitais comprados no XBOX não são seus. Até a Valve entrou nessa brincadeira e afirmou que os
jogos que você compra na Steam não são seus
.
As plataformas digitais deixaram bem claro que tudo o que temos nas mãos quando adquirimos um jogo em mídia digital são licenças de uso, não à toa. O resultado disso:
casos em que os games são removidos das plataformas e ficam inacessíveis aos jogadores
(mesmo aos que compraram).
O Canaltech decidiu relembrar alguns desses momentos com
7 jogos removidos de lojas digitais que não podem mais ser jogados
. A lista, infelizmente, é maior do que gostaríamos, embora a maioria se trate de jogos online ou com recursos que demandam servidores.
- The Day Before
The Day Before é um caso único na lista. O MMO de sobrevivência prometia mundos e fundos com uma temática pós-apocalíptica e uma proposta indie AAA.
The Day Before chegou a ser o jogo mais desejado do Steam antes do lançamento em dezembro de 2023
.
Contudo, o MMO sofreu um dos maiores revezes dos games e chegou em um estado calamitoso, com problemas técnicos graves, filas de espera e um escopo mais raso do que o prometido.
The Day Before foi delistado quatro dias depois da sua estreia
, junto ao fechamento do estúdio responsável, a Fntastic.
Este é um dos casos de remoção de jogo digital de que definitivamente ninguém reclamou, mas que ainda assim tem certo valor histórico de preservação.
- Babylon’s Fall
Babylon’s Fall foi um dos casos de fracasso mais emblemáticos da Square Enix
. O jogo desenvolvido pela PlatinumGames (NieR, Bayonetta) misturava RPG de ação e looting em uma estrutura exclusivamente online.
O RPG chegou ao PC, PlayStation 4 e PlayStation 5 em março de 2022, mas recebeu críticas negativas e vendeu mal. Na época, Babylon’s Fall foi crucificado pelo combate genérico e pela progressão arrastada.
O jogo bateu recorde mínimo de jogadores ativos
, com apenas um player simultâneo no Steam poucos meses depois do lançamento. Pouco menos de um ano depois, Babylon’s Fall foi encerrado e retirado das lojas.
- Battlefield 1943
Outro exclusivo multiplayer online, desta vez do outro lado do mundo, foi Battlefield 1943, shooter ambientado na Segunda Guerra Mundial que chegou ao PS3 e XBOX 360 em 2009. Diferentemente dos outros dois jogos acima,
o FPS levou 14 anos para ser removido e desativado pela Electronic Arts
.
O fim de Battlefield 1943 aconteceu em março de 2023, quando a produtora anunciou o fim dos serviços online do shooter,
além de Battlefield: Bad Company e Battlefield: Bad Company 2
. A justificativa foi a base de jogadores pequena demais para manter os servidores ativos. Como Battlefield 1943 não oferecia um modo offline, acabou se tornando injogável por meios oficiais.
- Anthem
Outro jogo da EA que acabou no limbo dos servidores desligados foi Anthem, título lançado pela BioWare em 2014 e tido como um dos maiores fracassos dos games da época. Apesar do lançamento desastroso,
Anthem seguiu com serviços online ativos pelo menos até 2026
.
O jogo não foi o único a deixar de existir no ano: mais de 50 jogos já foram encerrados apenas em 2026, incluindo o polêmico Highguard "de Geoff Keighley". Mesmo após ser expurgado do mundo digital,
Anthem ressuscitou com servidores privados criados por fãs após o desligamento
. No entanto, há certas barreiras para que o jogo volte à vida e os jogadores tenham acesso pleno a ele, o que o transforma em um título quase natimorto.
- Concord
Concord, mais conhecido como o maior fracasso da história do PlayStation, virou manchete em diversos sites e redes sociais por sua incapacidade retumbante de atrair jogadores. Este é mais um dos casos de jogos live service em que a divisão de games da Sony insistiu e acabou fracassando.
Além do estilo hero shooter batido
, o jogo também foi criticado pelo preço premium e registrou números fraquíssimos de vendas: apenas 25 mil cópias comercializadas enquanto ficou no ar.
O fracasso foi sacramentado duas semanas após o lançamento, momento em que Concord foi retirado do ar.
A Sony reembolsou integralmente todos os 25 mil jogadores que adquiriram o título
, mas, em contrapartida, fechou o estúdio Firewalk.
- The Crew
O caso de The Crew é utilizado até hoje
como o maior exemplo de abuso de uma empresa com relação a jogos digitais e licenças de uso
. Lançado em 2014, o jogo de corrida de mundo aberto ambientado nos Estados Unidos foi um sucesso comercial. O problema era que The Crew foi desenvolvido com uma estrutura "always online" e
dependia dos servidores da Ubisoft para funcionar
.
Como não havia nenhum modo offline, os jogadores não só foram impossibilitados de comprar o título quando ele foi desligado em 2023, como a Ubisoft retirou The Crew da conta de milhões de usuários. A produtora francesa, no entanto, não reembolsou os jogadores que adquiriram o título, o que a levou aos tribunais nos EUA e Europa, mas sem qualquer decisão impactante até o momento.
Apesar da história abismal, o fim do The Crew foi um dos estopins para
a criação do movimento Stop Killing Games
, que visa exatamente a preservação dos jogos.
- P.T.
Uma das demonstrações mais famosas de todos os tempos, Playable Teaser (P.T.) foi uma febre quando chegou ao PlayStation 4 em 2014. A demo nada mais era que uma apresentação de Silent Hills,
desenvolvido por Hideo Kojima
. A popularidade de P.T. foi tanta que chegou a inspirar dezenas de jogos de terror indie que viriam nos anos posteriores.
Infelizmente, o projeto foi retirado da PlayStation Store em abril de 2015, quando as relações entre a Konami e Kojima esquentaram. A produtora japonesa tratou P.T. como um jogo pago e, além da remoção, não permitia que a demo fosse reinstalada por aqueles que já tinham P.T. baixado no PS4. Felizmente, mais de uma década depois,
um projeto de fãs recriou o P.T. de Hideo Kojima para PC com suporte a FSR
.
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