59% dos entrevistados afirmam que a IA aumentou sua carga de trabalho.
Apenas 20% perceberam uma redução no volume de trabalho.
O índice chega a 70% entre profissionais de infraestrutura de IA e Machine Learning.
42% esperam uma redução das vagas destinadas a profissionais iniciantes.
Quando a IA ainda era uma novidade, havia a expectativa de que ela assumisse parte das tarefas e sobraria mais tempo para as pessoas. Mas, surpreendentemente, entre quem trabalha nos setores mais próximos dessa tecnologia, o resultado tem sido outro.
Para 59% dos profissionais ouvidos, a IA aumentou a carga de trabalho.
Apenas 20% perceberam uma redução e outros 20% disseram que pouca coisa mudou.
Os números fazem parte do relatório
State of the Industry 2026
,
produzido pelo Web Summit. A pesquisa ouviu a própria comunidade do evento, principalmente fundadores, investidores, engenheiros e creators de diferentes regiões do mundo.
A amostra, portanto, não representa toda a indústria de tecnologia, mas mostra que
produzir mais rápido não significa necessariamente trabalhar menos.
Quanto mais a IA entrega, mais esperam das pessoas
O aumento da carga foi maior nos setores mais próximos da IA. Entre os profissionais de infraestrutura de Inteligência Artificial e Machine Learning,
70% afirmaram estar trabalhando mais
. O índice chegou a 68% em empresas de software e SaaS e a 67% em hardware e Internet das Coisas.
Entre as funções analisadas, os profissionais de Engenharia e Produto lideram com 64%, seguidos pelos fundadores, com 63%. Entre investidores, a parcela caiu para 42%.
A explicação do aumento de trabalho é simples: quando a tecnologia permite produzir em menos tempo, empresas, lideranças e clientes passam a esperar uma quantidade maior de entregas.
“A IA acelera a produção, aumentando as expectativas sobre o quanto conseguimos entregar. Mas as pessoas podem confiar demais no resultado, e muitas vezes há pouco tempo para revisá-lo”, afirmou um profissional de Engenharia ouvido pelo estudo.
Ou seja, a IA pode
eliminar parte do trabalho operacional, mas cria novas tarefas: revisar respostas, conferir dados, corrigir erros, escolher ferramentas e acompanhar uma produção que não para de crescer.
Menos vagas para quem está começando
A pesquisa ainda encontrou um cenário dividido sobre empregos.
Enquanto 39% esperam um aumento no número de profissionais de suas áreas nos próximos dois anos, 33% preveem redução e 28% acreditam que haverá pouca mudança.
Para os cargos de entrada, o pessimismo já é grande.
Quatro em cada dez entrevistados esperam que suas empresas tenham menos vagas para iniciantes.
O índice sobe para 50% entre executivos C-Level e chega a 58% entre investidores.
O cenário desperta um alerta:
se a IA assumir as tarefas que normalmente ajudam um profissional a aprender, como serão formados os especialistas do futuro?
“Nenhum desenvolvedor iniciante está sendo contratado na indústria. O que acontecerá quando todos os seniores se aposentarem ou saírem? Quem vai corrigir o conteúdo ruim produzido pela IA?”, questionou um engenheiro da América do Norte.
Mais trabalho e mais raciocínio
Apesar da preocupação com a carga e os empregos, os entrevistados não enxergam apenas efeitos negativos. Para
55%, o uso da IA fortalece o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas
. Outros 26% acreditam que essas habilidades estão enfraquecendo.
Os engenheiros foram os mais desconfiados: 37% disseram que a tecnologia prejudica sua forma de pensar. Já os profissionais com 65 anos ou mais foram os mais otimistas, com 71% afirmando que a IA fortalece o raciocínio. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice ficou em 48%.
Ou seja, a maior transformação não está na redução do trabalho, mas em uma mudança de sua natureza. A IA executa mais rapidamente, enquanto o profissional passa a revisar, decidir e responder por um volume maior de produção.
Mas o tempo economizado por uma tarefa pode simplesmente abrir espaço para outras três. A tecnologia ficou mais rápida, mas até onde as pessoas conseguem acompanhar esse ritmo?
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A IA reduz o trabalho? Para 59% dos profissionais, não
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Consumidor Moderno
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