Em entrevista ao quadro "Na Pele do CEO", da Consumidor Moderno, Rodrigo Cury, presidente da Visa no Brasil, detalhou o reposicionamento estratégico da companhia no país. Formado em publicidade e com trajetória construída no setor bancário, o executivo descreveu a transição de uma infraestrutura historicamente centrada em pagamentos com cartão para uma empresa de tecnologia que monetiza os ativos derivados de sua rede, como dados e segurança, para gerar valor a bancos, varejistas e consumidores. Segundo Cury, o movimento responde a um consumidor de pagamentos que alterou seu comportamento em ritmo superior ao da regulação, demandando velocidade, segurança e produtos aderentes ao seu perfil e renda.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A estratégia apresentada reflete uma mudança estrutural na indústria de pagamentos. A infraestrutura de processamento de transações, antes restrita à autorização e liquidação de compras com cartão, passa a operar como plataforma de dados e inteligência. Nesse modelo, os Serviços de Valor Agregado (VAS) constituem a camada de consultoria e ferramentas baseadas em Inteligência Artificial oferecidas a parceiros do ecossistema financeiro e varejista.
A capacidade central reside no uso de dados transacionais e de camadas de segurança da rede para desenvolver soluções de prevenção a fraudes, análise de risco, personalização de ofertas e otimização de jornada. A hiperpersonalização, apontada por Cury como a nova régua do setor, substitui a segmentação por categorias genéricas de cartão pelo desenho de produtos orientados a nichos específicos. O Visa Infinite Privilege, desenvolvido para o segmento de super alta renda no Brasil, foi citado como exemplo dessa abordagem, com proposta de valor alinhada a estilo de vida e não apenas a limite de crédito.
No contexto regulatório brasileiro, o executivo afirmou não enxergar a regulação como risco, mas como realidade de mercado à qual a companhia deve se adequar. Sobre a convivência com o Pix, avaliou o sistema de pagamentos instantâneos mais como oportunidade do que como ameaça ao cartão, indicando uma estratégia de complementaridade entre os modais.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para lideranças que avaliam a adoção de plataformas de pagamentos baseadas em dados e IA, o caso evidencia critérios relevantes de governança e integração. O primeiro refere-se à governança de dados e segurança, com necessidade de conformidade regulatória, proteção de informações sensíveis e transparência no uso de modelos analíticos.
O segundo critério envolve a integração com a infraestrutura legada de bancos e varejistas, assegurando interoperabilidade entre sistemas de core bancário, plataformas de e-commerce e canais de atendimento. O terceiro diz respeito à estratégia de personalização, que requer equilíbrio entre granularidade da oferta, viabilidade operacional e adequação ao perfil econômico do cliente. A avaliação deve considerar ainda a capacidade do parceiro tecnológico de prover consultoria e ferramentas que se traduzam em melhoria de processos e não apenas em processamento transacional.
Eficiência Operacional & Métricas
De acordo com as informações apresentadas na entrevista, a Visa aportou US$ 12 bilhões em tecnologia nos últimos três anos. Segundo Cury, o investimento foi direcionado sobretudo aos Serviços de Valor Agregado (VAS), frente que concentra as soluções de consultoria e ferramentas baseadas em Inteligência Artificial.
O executivo indicou que, embora os cartões permaneçam como pilar do negócio, a receita de crescimento da companhia no Brasil passa a derivar de dados, segurança e Inteligência Artificial. O exemplo do Visa Infinite Privilege ilustra a aplicação prática desse direcionamento, com a criação de um produto específico a partir da identificação de um público não atendido pelos portfólios existentes.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A evolução apontada sugere a consolidação do modelo de empresa de tecnologia de pagamentos, com expansão contínua de serviços baseados em dados e IA para além da transação. A integração entre diferentes instrumentos de pagamento, incluindo cartões e Pix, e a adaptação contínua ao ambiente regulatório brasileiro permanecem como vetores de desenvolvimento para o setor.
Rodrigo Cury é um dos executivos confirmados no CONAREC 2026, previsto para os dias 23 e 24 de setembro, em São Paulo. A entrevista completa integra a série "Na Pele do CEO", da Consumidor Moderno, dedicada a examinar a transformação do comportamento do consumidor e seus impactos na liderança de companhias globais.
