Instituições financeiras levam, em média, 12 dias para recuperar aplicações de missão crítica após um incidente de segurança cibernética, segundo análise da Everpure baseada no estudo The State of Cyber Resilience, do Instituto Ponemon. O prazo é avaliado como incompatível com a continuidade das operações bancárias essenciais, que demandam disponibilidade contínua de serviços como pagamentos, acesso a contas e canais digitais.
O levantamento aponta que a recuperação de dados íntegros e atualizados representa um dos principais componentes de custo e complexidade na resposta a incidentes no setor financeiro, em um contexto de crescente distribuição de dados entre ambientes híbridos e multicloud.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A análise evidencia a distinção entre modelos tradicionais de recuperação de desastres e as exigências atuais de resiliência cibernética. Soluções convencionais de backup, restauração e failover foram historicamente arquitetadas para responder a cenários de indisponibilidade de infraestrutura, como falhas de hardware ou interrupções de energia.
No cenário atual, os ataques são direcionados à integridade e à disponibilidade dos dados. Isso exige capacidades adicionais de proteção, como a garantia de cópias imutáveis, a validação da integridade dos dados, a identificação de dados limpos e confiáveis e a orquestração da recuperação priorizada de sistemas essenciais. A abordagem defendida pela Everpure, denominada Minimum Viable Bank (MVB), propõe justamente a priorização da restauração das operações essenciais a partir de dados validados, antes da recuperação completa de todos os sistemas. Segundo Douglas Wallace, diretor regional de Vendas da Everpure para a América Latina e o Caribe, “o que muitos bancos ainda entendem como resiliência, recuperação de desastres e mecanismos de failover, foi desenvolvido para indisponibilidades, não para ataques cibernéticos. Esse modelo já não funciona”.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para lideranças de tecnologia, risco e operações, o estudo indica a necessidade de reavaliar a estratégia de resiliência sob a ótica da governança de dados. Entre os critérios a serem considerados estão a classificação e o mapeamento de dados de missão crítica, a arquitetura de proteção de dados em ambientes distribuídos, híbridos e multicloud, e a definição de processos formais para recuperação orientada a dados limpos.
A integração entre as equipes de segurança, infraestrutura e negócios torna-se central para definir quais aplicações e conjuntos de dados devem ser priorizados em um plano de recuperação mínima viável, bem como para estabelecer critérios de validação, testes periódicos e automação dos fluxos de restauração. A governança deve contemplar ainda políticas de retenção, imutabilidade e verificação contínua da recuperabilidade.
Eficiência Operacional & Métricas
Os dados apresentados no estudo fornecem parâmetros factuais para a avaliação de maturidade operacional:
- Tempo médio de recuperação: 12 dias para restabelecer aplicações de missão crítica após um incidente cibernético.
- Criticidade dos dados: 36% dos dados armazenados pelas organizações do setor financeiro são classificados como de missão crítica.
- Estrutura de custos: 31% do custo total de um ataque está relacionado à recuperação de dados íntegros e atualizados.
- Gestão de ambientes distribuídos: apenas 41% das organizações afirmam ter confiança na gestão de dados distribuídos entre diferentes ambientes, o que indica desafios adicionais em operações híbridas e multicloud.
Esses indicadores demonstram que a eficiência da recuperação está diretamente associada à capacidade de isolar, validar e restaurar rapidamente os dados essenciais, e não apenas à disponibilidade da infraestrutura subjacente.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A evolução esperada no setor aponta para a transição de estratégias centradas em restauração de sistemas para modelos de resiliência cibernética centrados em dados. A tendência é a adoção de arquiteturas que combinam proteção de dados com detecção de anomalias, validação de integridade e recuperação orquestrada e automatizada.
Para o setor financeiro, a definição de um perímetro mínimo viável de operação, com processos testados e métricas claras de tempo de recuperação, deve se consolidar como componente da estratégia de continuidade de negócios e de conformidade regulatória, à medida que a criticidade dos canais digitais e a sofisticação dos ataques direcionados a dados continuam a avançar.
