O IT Forum Praia do Forte 2026 foi realizado entre os dias 19 e 22 de agosto, em sua 35ª edição, reunindo 160 CIOs, 90 parceiros e mais de mil participantes entre executivos, convidados e familiares. Com o tema “O poder do ecossistema: quem não conecta, não cresce”, o encontro estruturou sua programação em torno da orquestração de pessoas, dados e agentes de inteligência artificial com foco em resultados de negócio. A cerimônia de abertura contou com a presença dos fundadores do IT Forum, Adelson de Sousa e Miguel Petrilli, do CEO do Distrito Itaqui, Gabriel de Sousa, da CEO do Instituto Itaqui, Gabriela Vicari, do CEO do IT Forum, André Cavalli, e da diretora de conteúdo e de marketing do Itaqui, Deborah Oliveira, além da apresentação de uma linha do tempo com os marcos dos 35 anos do evento.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A programação posicionou a inteligência artificial como elemento central da arquitetura operacional das organizações, com ênfase na integração entre ecossistemas, governança de dados e infraestrutura. A palestra de abertura, conduzida pelo futurista Neil Redding, abordou a capacidade de um ecossistema orquestrar e fortalecer o uso da IA, com a avaliação de que o risco estratégico reside em otimizar modelos de negócio que podem perder relevância. Segundo ele, “o verdadeiro risco não é avançar devagar demais, é otimizar um modelo de negócio de que o futuro não precisará mais”.
Ao longo dos painéis, a discussão avançou da digitalização para a orquestração. No painel “Decidir em tempo real, quando dados viram ação”, foram destacados os silos internos e a fragmentação de governança como barreiras à operacionalização da IA, com contribuições do vice-presidente sênior da ServiceNow para a América Latina, Federico Grosso, do country manager da Databricks Brasil, Ricardo Buffon, e do gerente-geral de ISG da Lenovo para a América Latina, Claudio Stopato, que apresentou o caso de avatares de jogadores alimentados por milhares de câmeras e dispositivos em campo durante operação na Copa do Mundo. No eixo de infraestrutura, o painel “Eficiência como estratégia, a nova infraestrutura da IA” tratou da distância entre conceito e produção, com ênfase em eficiência projetada desde a concepção de produtos sujeitos a milhões de acessos e grandes volumes de dados.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para lideranças de tecnologia e negócio, o evento indicou critérios de avaliação relacionados a governança, arquitetura e capacitação. No painel “Do RH para o board: por que educação é a pauta do CIO”, o diretor de tecnologia e inovação da EcoRodovias, Afrânio Spolador Junior, apresentou projeto de pós-graduação desenvolvido com a SPTech voltado à capacitação das áreas de negócio, com detalhamento da diretora acadêmica da instituição, Vera Goulart, sobre a definição prévia de projetos e o suporte de estagiários na tradução prática do conteúdo.
No painel “Crescer conectado: ecossistemas mudam o cenário da inovação”, o presidente da Dell Technologies Brasil, Diego Puerta, relatou a decisão da companhia de liderar sua própria ruptura, enquanto o fundador e CEO do Grupo Stefanini, Marco Stefanini, observou que, com a comoditização da IA, o diferencial reside na arquitetura de negócios e na arquitetura tecnológica. A mesma perspectiva foi compartilhada pelo diretor de tecnologia do Banco do Brasil, Rodrigo Mulinari, ao afirmar que IA sem estratégia de negócio configura-se como despesa. No painel “Liderando em tempos de IA”, o presidente da Vtex Brasil B2B Solutions, Massimo Enea, sintetizou que “o maior erro é executar, em 2026, um bom plano de 2022”, em debate que contou ainda com o presidente da IBM Brasil, Marcelo Braga, sobre a descentralização do conhecimento, o general manager da monday.com para a América Latina, Mauricio Prado, e a head da Iron Mountain para a América Latina, Ana Carla Martins, que observou: “Com relação à IA, não freie. Mas também não deixe solto”.
Eficiência Operacional & Métricas
Os indicadores apresentados no encontro refletem a escala e os vetores de eficiência discutidos. A 35ª edição consolidou quatro dias de programação com 160 CIOs e 90 parceiros. No âmbito de infraestrutura e capacitação, o country manager da Intel Brasil, André Ribeiro, projetou que até 2028 a maior parte das cargas de IA será de inferência, com implicações para o papel da CPU em determinados cenários. O country manager da AWS Brasil, Cleber Morais, reiterou o compromisso da companhia de treinar um milhão de pessoas em nuvem no Brasil. O CEO da Opah IT, João Moressi Junior, destacou que a eficiência operacional não é adquirida de forma pronta, mas projetada desde o início do ciclo de desenvolvimento.
No painel “IA aplicada aos negócios. Da promessa ao P&L: quem já monetiza IA”, foram discutidos os fatores que ainda limitam a conversão de iniciativas em retorno financeiro no Brasil. O CEO da HP Brasil, Ricardo Kamel, defendeu que as decisões de investimento em IA não devem recair exclusivamente sobre o CIO e não devem ser reduzidas a custos e pessoal. O diretor da divisão enterprise da Nvidia para a América Latina, Marcio Aguiar, descreveu a estratégia de formação de mercado e citou o edital do supercomputador brasileiro como indicativo de investimentos em infraestrutura. A country manager do Google Cloud Brasil, Milena Leal, destacou a orientação para priorizar grandes desafios de digitalização, ao afirmar que “um problema pequeno traz quase nenhum impacto”.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
As perspectivas indicadas apontam para a consolidação de ecossistemas integrados, com avanços em governança de dados, infraestrutura de inferência e modelos de capacitação contínua. A ampliação do acesso a dados, a superação de silos organizacionais e a definição de arquiteturas tecnológicas alinhadas à estratégia de negócio foram apresentadas como condições para a transição de projetos-piloto para operação em escala.
A evolução do mercado também foi associada ao desenvolvimento de competências críticas diante da expansão de agentes de IA no processo decisório, tema levantado por Neil Redding ao questionar a formação das próximas gerações e a necessidade de desenvolver coletivamente novas formas de aprendizado baseado em tentativa e erro. A programação complementar, com salas de conteúdo, desafios, atividades de integração e apresentações de Sidney Magal, do grupo DJ+2 e de Dinho Ouro Preto, além do show de assados do chef Carlinhos Awoki, reforçou o componente de conexão entre lideranças como parte da estratégia de ecossistema.
