O retorno sobre investimento (ROI) projetado a partir da aplicação de inteligência artificial agêntica em empresas brasileiras deve registrar expansão superior a quatro vezes nos próximos anos, alcançando US$ 24,8 milhões até 2028. Os dados constam no estudo The Value of AI: Brazil 2026, conduzido pela SAP em parceria com a Oxford Economics e divulgado durante a 31ª edição do SAP Now AI Tour Brazil, realizada em São Paulo. O levantamento reflete a transição do ecossistema corporativo local de uma fase preliminar de experimentação para a incorporação de sistemas inteligentes autônomos diretamente conectados aos processos centrais de negócios.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A evolução em direção à chamada IA agêntica representa uma mudança técnica e funcional na automação corporativa. Diferente dos modelos generativos focados exclusivamente na produção de conteúdo textual ou síntese de dados sob demanda, os agentes de IA operam com capacidade de raciocínio contextual, orquestração de fluxos de trabalho e execução autônoma de tarefas interdependentes entre diferentes áreas de negócio.
No ambiente operacional, a eficácia desses agentes depende fundamentalmente da integração em tempo real dos dados estruturados da organização. Conforme pontuado pela liderança da SAP durante o anúncio, a fragmentação departamental — observada quando eventos críticos na cadeia de suprimentos, recursos humanos ou finanças tramitam de forma isolada — permanece como um dos principais obstáculos operacionais. A IA agêntica visa solucionar esse gargalo ao atuar como uma camada de interconexão e decisão dinâmica sobre sistemas legados e plataformas de gestão integrada (ERP).
Considerações Estratégicas para Lideranças
Embora as projeções financeiras apontem um cenário favorável, o estudo ressalta um descompasso estrutural entre o apetite por investimentos e a maturidade de governança corporativa. Apenas 3% das organizações brasileiras avaliam estar totalmente preparadas para escalar agentes autônomos em seus fluxos de trabalho, enquanto 65% dos executivos relatam incerteza quanto à capacidade das iniciativas atuais de capturar o valor integral da tecnologia.
Para as lideranças de tecnologia e negócios, o avanço impõe a revisão de três pilares centrais:
- Alinhamento ao Valor de Negócio: Conforme destacou Jan Gilg, presidente global de Customer Success da SAP, os projetos corporativos devem ser estruturados a partir da resolução de dores operacionais concretas, e não orientados unicamente à adoção tecnológica per se.
- Governança de Dados e Interoperabilidade: Agentes autônomos exigem bases de dados padronizadas, seguras e com baixa latência para evitar decisões operacionais inconsistentes.
- Redesenho de Processos Transversais: A eliminação de silos departamentais é pré-requisito funcional para que os fluxos agênticos automatizem cadeias complexas de ponta a ponta.
Eficiência Operacional & Métricas
O levantamento, que englobou 2,6 mil executivos em 13 países — incluindo 200 tomadores de decisão no Brasil —, detalha a aceleração do capital alocado e o ganho de escala projetado:
- Retorno sobre Investimento: A expectativa de ROI médio com agentes de IA subiu de US$ 3,8 milhões na sondagem anterior para uma projeção de US$ 24,8 milhões até 2028 (taxa de retorno estimada em 15%).
- Aportes Corporativos: As organizações brasileiras preveem destinar, em média, US$ 20,8 milhões a iniciativas de inteligência artificial no ano corrente, comparados a US$ 14,2 milhões no período anterior. A taxa de crescimento dos aportes para o próximo biênio é estimada em 46%.
- Penetração nos Processos: Atualmente, 26% das tarefas empresariais contam com algum nível de suporte de IA, com previsão de atingir 44% no horizonte de dois anos.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
O mercado corporativo brasileiro caminha para uma etapa de consolidação onde a viabilidade econômica e a capacidade de orquestração ditarão o ritmo da adoção tecnológica. À medida que grandes provedores corporativos integram modelos agênticos nativamente em seus ecossistemas de software empresarial, o desafio central das organizações transfere-se da prova de conceito para a garantia de consistência, segurança da informação e governança operacional contínua em larga escala.
