No painel "Do RH para o board: por que educação é a pauta do CIO", realizado na quinta-feira, 20, durante o segundo dia do IT Forum Praia do Forte 2026, o diretor de tecnologia e inovação da EcoRodovias, Afrânio Spolador Junior, e a diretora-acadêmica da SPTech, Vera Goulart, defenderam que a capacitação das áreas de negócio em tecnologia e inteligência artificial passou a integrar o escopo central de atuação do CIO. A discussão partiu da avaliação de que a descentralização do acesso a serviços e sistemas de automação redefine a função de liderança em tecnologia, deslocando seu foco do controle direto da infraestrutura para a orquestração de capacidades distribuídas pela organização.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
O contexto apresentado no painel reflete a consolidação de um modelo de tecnologia federada, no qual áreas de negócio contratam e implementam soluções de automação e inteligência artificial com maior autonomia em relação à TI central. Segundo a avaliação apresentada, esse movimento amplia a agilidade operacional, mas demanda novos mecanismos de coordenação para garantir interoperabilidade, segurança e alinhamento estratégico.
Nesse cenário, a resposta estruturada pela EcoRodovias em parceria com a SPTech foi a criação de um programa de pós-graduação voltado a profissionais fora da área de tecnologia. A iniciativa contemplou, em sua primeira turma, seis áreas de negócio, com participação de perfis como advogados e engenheiros, com o objetivo de desenvolver letramento tecnológico e capacidade de análise crítica sobre dados. O desenho pedagógico apresenta dois componentes centrais: a definição prévia dos projetos que serão desenvolvidos ao longo do curso, permitindo que os participantes iniciem a formação com escopo aplicado já estabelecido, e a alocação de um estagiário da SPTech em cada grupo de aprendizado para suporte técnico e tradução de conceitos, aproximando o conteúdo acadêmico da aplicação prática nas áreas. O programa é revisado a cada turma, em razão da velocidade de evolução tecnológica.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para lideranças de tecnologia e de negócio, o caso evidencia critérios relevantes de governança, integração e adoção em ambientes com uso intensivo de inteligência artificial. O primeiro critério é a reestruturação da governança para o ritmo da IA. Conforme relatado no painel, o modelo tradicional de controle é avaliado como lento diante da velocidade de implementação nas áreas, o que exige redesenho de processos de decisão, responsabilidades e padrões de uso.
O segundo critério é a integração da governança ao processo de aprendizagem e de projeto. Na abordagem apresentada pela SPTech, a governança não é tratada como disciplina isolada, mas como componente incorporado desde o primeiro trabalho prático, com ampliação progressiva de conhecimento ao longo da formação.
O terceiro critério é a capacitação do C-level e das equipes de negócio como vetor de adoção. A avaliação compartilhada é de que a diferenciação competitiva na próxima etapa da inteligência artificial estará menos associada à tecnologia contratada e mais à preparação dos decisores quanto a onde e como aplicá-la. O programa também se enquadra nos critérios de pesquisa, desenvolvimento e inovação previstos na Lei do Bem, o que, segundo o relato, possibilita sua utilização como instrumento de incentivo, mediante cumprimento de requisitos burocráticos específicos.
Eficiência Operacional & Métricas
Os dados factuais reportados no painel indicam que o programa foi estruturado para seis áreas de negócio em sua fase inicial e que a segunda turma está prevista para a segunda quinzena de setembro, mantendo o mesmo desenho da primeira. O objetivo declarado da formação é o desenvolvimento de análise crítica sobre dados, sem caráter estritamente operacional.
No âmbito organizacional, foi reportado que, com o crescimento da empresa e a implementação dos programas de capacitação, não houve ocorrência de demissões em massa. Não foram divulgados no painel indicadores quantitativos adicionais de produtividade, economia de tempo ou retorno financeiro associados ao programa.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A continuidade da iniciativa está prevista com o início da segunda turma em setembro, em processo de estruturação contínua. A perspectiva apresentada pelos painelistas é de que a evolução do mercado de tecnologia corporativa dependerá da capacidade das organizações de orquestrar ecossistemas distribuídos, com ênfase em agentes e automação, mantendo coerência entre as iniciativas das diferentes áreas.
A agenda indicada para o setor inclui o avanço de modelos de governança compatíveis com a operação federada, a ampliação de programas de formação voltados a perfis não técnicos e o alinhamento entre estratégia de negócio, arquitetura de dados e critérios de conformidade, como base para a expansão do uso de inteligência artificial nas operações.
