Pesquisa encomendada pela Ciena e conduzida pela Censuswide com 1.200 provedores de telecomunicações, operadores de redes de fibra óptica no atacado e provedores de serviços regionais em 12 mercados — sendo 100 no Brasil — indica que serviços de rede de alta capacidade impulsionados por inteligência artificial devem gerar novas oportunidades de receita nos próximos anos. Os dados, coletados entre 13 e 23 de julho de 2026, apontam que 93% dos provedores brasileiros entrevistados esperam que esses serviços impulsionem novas receitas nos próximos três a cinco anos, enquanto 95% avaliam que a modernização das redes ópticas é essencial para melhorar a rentabilidade e a competitividade das ofertas de conectividade para IA.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
O levantamento posiciona a infraestrutura óptica como camada habilitadora para a expansão da computação distribuída, da interconexão de data centers e das aplicações de borda. A modernização das redes ópticas, com maior capacidade, baixa latência e rotas estratégicas com alta densidade de fibras, é apresentada como requisito para suportar cargas de trabalho de IA, incluindo treinamento e inferência distribuídos, interconexão de clusters de computação e conectividade multicloud.
Nesse contexto, a interconexão de data centers (DCI) e os serviços de managed optical fiber network (MOFN) emergem como vetores comerciais para conectar campi distribuídos de hyperscalers e clusters de IA. Da mesma forma, o edge computing empresarial e as redes privadas são associados à viabilização de casos de uso de IA física — como robôs industriais autônomos, machine vision e sistemas de controle remoto — que demandam conectividade determinística e acordos de nível de serviço com latência garantida. A automação de rede avançada é indicada como capacidade de suporte para orquestração, provisionamento e movimentação de grandes volumes de dados entre ambientes de nuvem.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para lideranças de tecnologia e negócios, o estudo sugere critérios de avaliação centrados em prontidão da infraestrutura óptica, governança de SLAs e arquitetura para escalabilidade. A percepção de urgência quanto à atualização das redes — relatada por 82% dos entrevistados no Brasil, sendo que 49% classificam a necessidade como crítica e com modernizações imprescindíveis de forma imediata para atender à demanda e proteger participação de mercado — reforça a importância de planejamento de capacidade, roadmap de modernização e priorização de investimentos em rotas de alta velocidade.
A monetização de ofertas de edge computing aparece vinculada à capacidade de assegurar SLAs premium com baixa latência garantida, considerados muito importantes ou absolutamente essenciais por 93% dos provedores brasileiros. A avaliação de parcerias com hyperscalers, a definição de portfólio para DCI e MOFN e a estratégia para redes privadas e computação de borda voltadas à IA física são elementos adicionais a serem ponderados em termos de integração com ecossistemas de nuvem, interoperabilidade e automação operacional.
Eficiência Operacional & Métricas
Os indicadores reportados pela pesquisa fornecem um panorama quantitativo das expectativas de mercado no Brasil:
- Receita e modernização: 93% projetam novas receitas com serviços de rede de IA de alta capacidade em três a cinco anos; 95% concordam que a modernização das redes ópticas é essencial para rentabilidade e competitividade.
- Urgência de atualização: 82% demonstram forte senso de urgência para atualizações da rede óptica; 49% avaliam a necessidade como crítica.
- Edge e SLAs: 93% consideram SLAs premium com baixa latência garantida muito importantes ou absolutamente essenciais para monetização de implantações de edge computing empresariais.
- Hyperscalers e DCI: 94% esperam que a demanda de hyperscalers com expansão de grandes data centers em campi distribuídos crie oportunidades moderadas ou substanciais para conectividade de alta velocidade e rotas com grande número de fibras nos próximos três anos, sendo que para 60% o impacto deverá ser muito significativo. Sobre DCI, 92% esperam que serviços de MOFN contribuam ao menos moderadamente para receita de interconexão de clusters de computação de IA distribuídos no mesmo horizonte, com 54% projetando contribuição significativa.
- IA física: 93% esperam potencial de receita moderado ou alto com IA física para ofertas de redes privadas e computação de borda, com 52% identificando alto potencial. Em cinco anos, 88% esperam que a conexão de ecossistemas de IA física represente pelo menos 5% de sua receita corporativa de IA, incluindo 62% que preveem mais de 15%.
- Automação e multicloud: 97% consideram a automação de rede avançada importante ou absolutamente essencial para capturar oportunidades impulsionadas por IA; metade aponta a movimentação de grandes conjuntos de dados empresariais entre ambientes de nuvem como uma das maiores oportunidades comerciais associadas ao crescimento da inferência de IA.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A perspectiva apresentada pela Ciena, por meio de Fernando Capella, diretor regional para CALA Sul, é de que o Brasil entra em uma nova fase de oportunidades de rede impulsionadas por IA, na qual o valor estará cada vez mais associado à capacidade de conectar computação distribuída, data centers, empresas e máquinas inteligentes em escala. Segundo o executivo, os provedores brasileiros já avaliam oportunidades além da conectividade básica, com foco em edge computing, DCI, IA física e serviços multicloud.
A evolução esperada para o setor inclui a ampliação de arquiteturas ópticas de alta capacidade, a expansão de serviços gerenciados de fibra para interconexão de clusters de IA e o avanço da automação para suportar a inferência distribuída e a mobilidade de dados entre nuvens, em um cenário de crescimento da demanda por conectividade de baixa latência e alta disponibilidade.
