O Brasil lidera os índices de maturidade digital na América Latina, mas enfrenta na fragmentação de sua infraestrutura tecnológica o principal entrave para converter a adoção de inteligência artificial em retorno financeiro mensurável. As conclusões constam no estudo "O Estado da Transformação Digital na América Latina 2026", conduzido pela Censuswide a pedido da ManageEngine, divisão de gerenciamento e segurança de TI corporativa da Zoho Corporation. O levantamento ouviu mil tomadores de decisão e executivos C-level na região durante o primeiro semestre de 2026, sendo 250 participantes no mercado brasileiro, abrangendo ainda México, Colômbia, Chile e República Dominicana.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
O mercado corporativo brasileiro apresenta os maiores índices regionais de modernização: 32% das organizações concluíram a migração para arquiteturas de TI centradas em plataformas integradas e 25% já se posicionam como operações orquestradas por IA. Paralelamente a esses avanços, a proliferação desordenada de softwares pontuais gerou silos operacionais complexos.
As empresas brasileiras operam, em média, com 18 soluções especializadas simultâneas — a taxa de dispersão mais elevada da América Latina. Segundo Tonimar Dal Aba, gerente técnico da ManageEngine no Brasil, o desafio não decorre de decisões incorretas de aquisição, mas da ausência de interoperabilidade nativa e da desorganização dos repositórios de dados. Sem uma camada unificada de governança e arquitetura, a aplicação de modelos de IA encontra bases fragmentadas, dificultando a rastreabilidade das informações e a mensuração precisa de impacto sobre o negócio.
Considerações Estratégicas para Lideranças
Para os comitês executivos e lideranças de tecnologia, o diagnóstico aponta para a necessidade de priorizar a consolidação de ecossistemas antes da expansão indiscriminada de casos de uso de IA. A governança centralizada surge como pré-requisito técnico: 89% dos executivos apontam que a fragmentação limita diretamente a escala das iniciativas de automação e análise avançada, com 35% avaliando esse impacto como altamente restritivo.
Adicionalmente, a complexidade arquitetural impacta a postura de segurança corporativa. O estudo indica que 56% das organizações no Brasil registraram aumento em incidentes cibernéticos, correlacionando a superfície expandida de ataque decorrente de múltiplos softwares isolados com vulnerabilidades de integração e carência de talentos especializados em orquestração de ambientes híbridos.
Eficiência Operacional & Métricas
Os dados quantitativos detalhados pela pesquisa evidenciam o descompasso entre a infraestrutura instalada e a captura de valor:
- Prontidão percebida versus ROI: Embora 92% das empresas no Brasil considerem seus ambientes aptos a receber inteligência artificial, 62% relatam dificuldades concretas em mensurar o retorno sobre o investimento (ROI).
- Alocação de capital: 63% dos orçamentos de TI no País são direcionados à sustentação e manutenção de sistemas legados e ferramentas pontuais, restringindo o capital disponível para inovação aplicada.
- Complexidade operacional: 71% dos entrevistados confirmaram que a adição de novas ferramentas elevou a complexidade geral da infraestrutura corporativa nos últimos dois anos.
- Densidade de sistemas: A média nacional de 18 aplicações simultâneas posiciona o País no topo da fragmentação de software entre os mercados analisados na América Latina.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A consolidação de arquiteturas de dados e a convergência de ferramentas em plataformas unificadas tendem a orientar os investimentos corporativos nos próximos ciclos. A transição de ambientes heterogêneos para ecossistemas interoperáveis torna-se a principal variável técnica para que as lideranças consigam validar modelos preditivos e generativos com governança, segurança da informação e rentabilidade auditável.
