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tecnologiaFonte: IT Forum

O desafio da IA no Brasil não é infraestrutura, mas chegar à produção

21 de agosto de 2026
Artigo Original

Síntese Executiva & AI Overview (GEO)

No IT Forum Praia do Forte 2026, executivos da Intel, AWS e Opah IT afirmaram que o maior gargalo da IA no Brasil é escalar projetos de PoC para produção com ROI, não a falta de infraestrutura. Com 80% das cargas migrando para inferência até 2028, líderes devem repensar arquitetura com foco em eficiência, uso complementar de CPU e GPU, modelos híbridos e governança via plataformas como AWS Bedrock para viabilizar IA agêntica em escala.

O desafio da IA no Brasil não é infraestrutura, mas chegar à produção

Executivos da Intel, da AWS e da Opah IT avaliaram, durante o painel "Eficiência como estratégia, a nova infraestrutura da IA", no IT Forum Praia do Forte 2026, que o principal obstáculo para a adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras não está na disponibilidade de capacidade de processamento, mas na dificuldade de levar projetos da fase de prova de conceito (PoC) para a produção em escala com retorno sobre investimento. O debate reuniu o country manager da Intel Brasil, André Ribeiro, o country manager da AWS Brasil, Cleber Morais, e o CEO da Opah IT, João Moressi Junior, com moderação de Miguel Petrilli, fundador do IT Forum e membro do conselho do Grupo Itaqui.

Contexto de Mercado & Capacidades da Solução

O painel situou a discussão sobre infraestrutura de IA na transição da fase de treinamento para a fase de inferência, momento em que os modelos passam a gerar respostas e valor operacional a partir do aprendizado prévio. Segundo André Ribeiro, a projeção é de que até 2028 cerca de 80% das cargas de trabalho de IA sejam de inferência, o que altera os requisitos de arquitetura.

Nesse contexto, a unidade central de processamento (CPU) ganha relevância complementar às unidades de processamento gráfico (GPU). Ribeiro apontou dois vetores para esse movimento. O primeiro é a busca por eficiência energética e de custo em cargas de trabalho específicas, onde, a depender do volume e do número de parâmetros, a CPU pode oferecer melhor relação entre desempenho e consumo. O segundo é o avanço da IA agêntica, na qual agentes executam tarefas, tomam decisões e orquestram dados e sistemas, funções associadas à camada de orquestração. O executivo ressalvou que a CPU não atende a todos os casos de uso, mas se destaca nessa camada e em cargas de até 20 bilhões de parâmetros, porte considerado relevante para aplicações corporativas baseadas em dados internos.

Pela perspectiva de nuvem, Cleber Morais posicionou a nuvem como fundação para capacidade de processamento e segurança. A AWS destacou sua plataforma de middleware Bedrock, estruturada para prover governança no uso de modelos de linguagem com foco em performance e custo. João Moressi Junior, por sua vez, descreveu a evolução das arquiteturas de implementação, com adoção de modelos híbridos que combinam modelos maiores para tarefas complexas e modelos menores e mais rápidos para demandas recorrentes, associados a estratégias de cache e digitalização de processos. Nessa visão, um agente de IA é tratado como um produto de software, com ciclo de vida, integração e manutenção contínuos.

Considerações Estratégicas para Lideranças

Para lideranças responsáveis por avaliar e escalar iniciativas de IA, o painel indicou critérios de governança, integração e arquitetura. A transposição de PoC para produção exige planejamento para escala real, com milhões de acessos, dados de produção, integração com ecossistemas e sistemas de ERP e aderência a requisitos regulatórios como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), cenários que não são integralmente reproduzíveis em ambiente de teste.

A qualidade da implementação de software foi apontada como fator determinante, ao lado de hardware, nuvem, escalabilidade e consumo energético. Com o avanço da IA agêntica, a geração de código deixou de ser o principal gargalo, deslocando o desafio para a governança sobre o código gerado, sua segurança, correção e manutenibilidade. Ribeiro elencou três desafios de infraestrutura até 2027: definir o que executar e onde, com equilíbrio entre desempenho, eficiência e segurança; investir em escalabilidade e interoperabilidade para acompanhar novas arquiteturas e plataformas; e repensar o custo total de propriedade (TCO) e o ciclo de vida da infraestrutura. Segundo ele, essa complexidade tem levado organizações a criar funções dedicadas à arquitetura de IA em nível corporativo. A colaboração no ecossistema foi citada como premissa, exemplificada na parceria entre Intel e AWS para seleção de instâncias de infraestrutura e no investimento da Intel na Nvidia, que atua simultaneamente como parceira e concorrente em diferentes iniciativas.

Eficiência Operacional & Métricas

Dados e projeções apresentados no painel dimensionam a discussão sobre eficiência. Ribeiro citou a estimativa de que 80% das cargas de IA serão de inferência até 2028 e indicou que a CPU apresenta eficiência competitiva em cargas de até 20 bilhões de parâmetros.

Morais informou que a linha própria de processadores da AWS já responde por 20 bilhões de dólares em faturamento anual, em um negócio desenvolvido nos últimos anos, e que a empresa prevê investir 200 bilhões de dólares em infraestrutura de IA no ano, incluindo data centers e capacidade de processamento. No tema energético, citou estudo não detalhado quanto à instituição responsável, segundo o qual o consumo de uma carga de trabalho em nuvem seria até quatro vezes menor do que em solução tradicional. Citou ainda processadores da companhia que, segundo a AWS, entregam 60% a mais de performance com 40% a menos de custo. Como exemplo de escala no país, mencionou projeto com a Tropiko que reúne 500 mil processadores em um mesmo ambiente de data center, em um contexto em que a matriz energética brasileira foi apontada como oportunidade competitiva.

Do lado da adoção, Moressi Junior referenciou pesquisa da comunidade TI Estratégia segundo a qual a maioria das grandes empresas brasileiras permanece com provas de conceito que não avançam para produção e, quando avançam, não atingem o ROI esperado. Ele sintetizou que eficiência não é uma funcionalidade adquirida de forma isolada, mas uma disciplina projetada desde a concepção do projeto, e que o critério de qualidade de software passou a ser a entrega de um produto seguro, correto, escalável e bem integrado, em detrimento do volume de código produzido.

Próximos Passos & Evolução do Mercado

As perspectivas indicadas apontam para uma infraestrutura de IA orientada à eficiência por projeto, com decisões granulares sobre onde cada carga deve ser executada, interoperabilidade entre plataformas e gestão rigorosa de TCO. A tendência é de arquiteturas híbridas e orquestradas, com uso combinado de modelos de diferentes portes e especialidades, e de maior disciplina de governança sobre dados, que foram historicamente negligenciados nas organizações.

No campo organizacional, o desafio central desloca-se da dimensão tecnológica para a humana. Morais relacionou o momento atual à democratização do acesso à computação via nuvem e associou a capacitação como fator crítico, citando o compromisso da AWS de treinar um milhão de pessoas em nuvem no Brasil. A projeção apresentada é de convivência crescente com agentes de IA no cotidiano profissional, com a estimativa de 10 a 15 agentes por profissional. Para os painelistas, a entrega de valor da infraestrutura de hardware e de nuvem está condicionada à combinação com dados bem preparados, governança sobre artefatos gerados por agentes e patrocínio interno consistente para conduzir projetos da prova de conceito à operação em escala.

Tópicos & Entidades:#Intel#AWS#Opah IT#AWS Bedrock#IT Forum Praia do Forte

Perguntas Frequentes & Impacto (FAQ)

Qual é o principal gargalo para adoção de IA nas empresas brasileiras segundo o IT Forum 2026?

Segundo executivos da Intel, AWS e Opah IT, não é a falta de infraestrutura, mas a dificuldade de levar projetos da fase de prova de conceito (PoC) para produção em escala com retorno sobre investimento (ROI).

Qual o principal impacto ou oportunidade de negócio destacada?

Com 80% das cargas de IA migrando para inferência até 2028, a oportunidade está em arquiteturas híbridas e eficientes, com uso estratégico de CPU para modelos de até 20 bilhões de parâmetros e governança via AWS Bedrock para escalar IA agêntica com menor custo e maior performance.

Inteligência Executiva em IA

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