A pesquisa global The State of SRE and Platform Engineering 2026, conduzida pela Dynatrace com 919 líderes seniores de TI de empresas com receita anual superior a US$ 500 milhões, indica que a expansão da inteligência artificial nas operações corporativas está redefinindo as atribuições das equipes de SRE (Site Reliability Engineering) e de engenharia de plataformas. Segundo o levantamento, para 67% dos profissionais de SRE, o monitoramento de modelos de IA já figura como o principal caso de uso da função, à frente de atividades tradicionais como resposta a incidentes e gestão de SLOs. O estudo foi divulgado no contexto do avanço da Dynatrace na aquisição da Arize, movimento que a companhia vincula diretamente aos resultados observados.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A pesquisa aponta que a demanda por avaliação de modelos de IA em ambiente produtivo cresce em ritmo superior à disponibilidade de ferramentas dedicadas, com mais de um terço dos engenheiros de plataforma indicando a integração entre ferramentas como sua principal barreira operacional. Nesse cenário, a observabilidade passa a atuar como plano de controle para a automação e para a operação de modelos em produção.
Com a incorporação proposta da Arize, a Dynatrace pretende integrar recursos nativos de avaliação de IA à sua plataforma de observabilidade, com o objetivo de unificar os dados utilizados pelas equipes que desenvolvem modelos e pelas equipes que os operam em produção. A iniciativa busca endereçar a fragmentação atual, na qual a avaliação de modelos e o monitoramento operacional ocorrem em conjuntos distintos de ferramentas, condição apontada como insustentável à medida que a IA avança para a produção em escala empresarial. O monitoramento de desempenho e precisão de modelos, citado por 58% dos profissionais de SRE, é atualmente o recurso de IA mais comum nessa função, enquanto 50% já utilizam recursos de IA para resposta automatizada a incidentes e 55% dos engenheiros de plataforma priorizam ferramentas de IA para desenvolvedores, como copilotos de programação.
Como observa Steve Tack, Chief Product Officer da Dynatrace, "SRE e engenharia de plataformas estabeleceram as bases para a confiabilidade digital moderna, mas a Inteligência Artificial está reescrevendo as regras. As empresas precisam agora deixar de apenas gerenciar sistemas e passar a orquestrá-los, conectando observabilidade, automação e IA agêntica para operar na velocidade exigida por essas iniciativas", acrescentando que a lacuna entre os ambientes de avaliação e de monitoramento precisa ser superada para a operação de IA em produção.
Considerações Estratégicas para Lideranças
O estudo indica que SRE e engenharia de plataformas são práticas consolidadas nas grandes organizações, com 92% relatando apoio da liderança executiva a iniciativas de SRE, 89% das organizações que praticam engenharia de plataformas tendo implementado uma plataforma interna para desenvolvedores (IDP) — sendo que 60% reportam adoção ampla entre departamentos — e 73% das equipes de SRE e engenharia de plataformas já colaborando e compartilhando responsabilidades entre os dois domínios.
Para lideranças de tecnologia, os dados sugerem a necessidade de avaliar critérios de governança, padronização e integração de ferramentas. A pesquisa registra que as equipes têm adotado cautela deliberada, priorizando visibilidade e supervisão humana antes de ampliar a automação. Quase metade dos profissionais de SRE afirma que o excesso de fontes de dados e métricas dificulta a definição e a gestão eficaz de SLOs, o que reforça a importância de estratégias de consolidação de dados e de definição clara de indicadores de confiabilidade. A integração de ferramentas, apontada como maior barreira por mais de um terço dos engenheiros de plataforma, emerge como critério central para decisões de arquitetura e de seleção de plataformas.
Eficiência Operacional & Métricas
Apesar da maturidade organizacional, a IA ainda apresenta resultados aquém do esperado em dois indicadores sensíveis: redução de custos e tempo médio de resolução (MTTR). A pesquisa não quantifica ganhos consolidados nesses dois pontos, mas registra a percepção de desempenho abaixo das expectativas.
Em termos de eficiência operacional reportada, as organizações das Américas — incluindo Estados Unidos, Brasil e México — apresentam desempenho superior a APAC e EMEA em diversos indicadores: 57% relatam detecção e resposta mais rápidas a incidentes, ante 49% na APAC e 43% na EMEA, e 54% observam melhoria no tempo de atividade dos serviços. A região também se destaca na automação de conformidade regulatória incorporada à infraestrutura, citada por 67% dos entrevistados, e no uso de pipelines para implantação de aplicativos, por 73%. O principal obstáculo apontado pelos entrevistados das Américas na engenharia de plataformas é a manutenção da padronização entre equipes, citado por 46%, proporção superior ao dobro da registrada em EMEA e APAC, de 26%.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
A evolução indicada pela pesquisa aponta para a convergência entre observabilidade, automação e IA agêntica como vetor de orquestração de sistemas, em substituição a modelos centrados apenas no gerenciamento de infraestrutura. A integração de capacidades de avaliação de modelos diretamente nas plataformas de observabilidade tende a se consolidar como requisito para operação de IA em produção, com foco na unificação de dados de desenvolvimento e operação e na ampliação da supervisão antes da automação plena.
A pesquisa foi conduzida pela Y2, parceira da Qualtrics, em nome da Dynatrace, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, com líderes seniores de SRE, engenharia de plataformas e operações de TI nas Américas, EMEA e Ásia-Pacífico.
