Em episódio do Podcast de Energia, iniciativa do Energy Summit veiculada pela MIT Technology Review Brasil, Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit, recebeu Daniel Drumond, Vice-Presidente de Operações da Vibra, para detalhar a aplicação de inteligência artificial em uma das maiores operações logísticas do país. A companhia, responsável pelo abastecimento de milhares de postos de combustíveis, aeroportos e grandes clientes em todo o território nacional, apresentou como a IA tem sido integrada ao planejamento e à execução de processos críticos em um mercado marcado por alta competitividade e exposição a variáveis geopolíticas.
A conversa evidencia a transição da inteligência artificial de uma tecnologia emergente para um componente estrutural da gestão de operações de grande escala, com foco em eficiência, segurança e resiliência operacional.
Contexto de Mercado & Capacidades da Solução
A relevância da aplicação está diretamente associada à complexidade logística e à necessidade de orquestração de múltiplas variáveis em tempo real. No caso apresentado, modelos de inteligência artificial são empregados no apoio à previsão de demanda, à movimentação de cargas e ao planejamento logístico, permitindo maior precisão na alocação de recursos e na resposta a flutuações de mercado.
A solução se estende à camada de infraestrutura física por meio da integração de sensores, câmeras inteligentes e modelos preditivos. Essas capacidades viabilizam o monitoramento contínuo de ativos e de condições operacionais, com aplicações como a identificação de sinais de fadiga em motoristas, a antecipação de falhas em equipamentos industriais e a recomendação do momento mais adequado para intervenções de manutenção. A arquitetura combina coleta de dados em campo, processamento analítico e geração de recomendações acionáveis, com o objetivo de reduzir indisponibilidades não planejadas e elevar os padrões de segurança.
Considerações Estratégicas para Lideranças
A adoção em escala exige, além da camada tecnológica, uma estratégia estruturada de governança e de transformação organizacional. Conforme relatado no episódio, a Vibra estruturou programas de capacitação para disseminar o uso da inteligência artificial entre suas equipes, com a premissa de que a tecnologia deve ampliar a capacidade de tomada de decisão humana.
Para lideranças que avaliam essa categoria de solução, destacam-se critérios como a qualidade e a integração das bases de dados operacionais, a interoperabilidade entre sistemas legados e novas plataformas de IA, a definição de protocolos claros de governança de dados e de responsabilidade decisória, e o desenho de jornadas de capacitação contínua. A abordagem apresentada prioriza o uso assistido, no qual os modelos fornecem subsídios analíticos para decisões mais informadas, mantendo o protagonismo das equipes na gestão da operação.
Eficiência Operacional & Métricas
Entre os resultados concretos reportados, a otimização da gestão de estoques por meio de inteligência artificial possibilitou uma redução de aproximadamente R$ 900 milhões em capital imobilizado, sem comprometimento do nível de atendimento aos clientes. O indicador ilustra o impacto direto da melhoria na acuracidade de previsão e no planejamento logístico sobre a eficiência financeira e operacional.
De forma complementar, os casos relacionados à manutenção preditiva e ao monitoramento de segurança operacional apontam para redução de custos associados a intervenções corretivas e para aumento da confiabilidade dos ativos, fatores centrais para a continuidade operacional em cadeias logísticas extensas e distribuídas.
Próximos Passos & Evolução do Mercado
O episódio reforça que a inteligência artificial consolida-se como ferramenta estratégica para o aumento de competitividade em operações intensivas em logística e ativos físicos. A evolução esperada para o setor inclui o aprofundamento de modelos preditivos, a expansão da instrumentação de ativos com sensores e visão computacional, e a maior integração entre planejamento comercial, logístico e de manutenção em plataformas unificadas de dados.
A tendência aponta para operações progressivamente mais orientadas por dados, nas quais a capacidade de antecipar cenários, automatizar análises e recomendar ações com base em evidências se torna diferencial para a eficiência, a segurança e a resiliência em larga escala.