Mercado Livre (MELI34) pode crescer 49%, enquanto Magalu (MGLU3) deve voltar ao prejuízo no 3T26
O terceiro trimestre de 2026 deve evidenciar o contraste entre duas das principais empresas do comércio eletrônico brasileiro. Enquanto o
Mercado Livre (
Meli34
)
pode registrar crescimento de 49% na receita, o
Magazine Luiza (MGLU3)
deve apresentar vendas praticamente estáveis e retornar ao prejuízo. As projeções são do Banco Safra, em análise divulgada nesta quarta-feira (21).
Para o Mercado Livre, a instituição estima
receita líquida
de US$ 11 bilhões, sustentada pela expansão do comércio eletrônico e dos serviços financeiros. Já o Magalu deve registrar R$ 9 bilhões em vendas, queda de 1% na comparação anual, com o crescimento das lojas físicas insuficiente para compensar a retração dos canais digitais.
A diferença reflete as estratégias das companhias em um ambiente de concorrência intensa, no qual investimentos em logística, crédito e frete grátis continuam pressionando as margens do setor.
Mercado Livre (MELI34): receita cresce, mas margens preocupam
Segundo o Safra, a receita do comércio eletrônico do
Mercado Livre
deve crescer 45% na comparação anual, enquanto a divisão de serviços financeiros pode avançar 55%.
O crescimento, entretanto, deve vir acompanhado de maior pressão sobre a rentabilidade. O banco projeta uma redução de 3,18 pontos percentuais na
margem operacional
, devido às despesas com marketing, provisões no negócio de crédito e à redução do valor mínimo para frete grátis.
Com isso, o
lucro operacional
(Ebit) deve permanecer praticamente estável em US$ 729 milhões, apesar da expansão do faturamento.
Já o
lucro líquido
está estimado em US$ 444 milhões, crescimento de 6% em relação ao terceiro trimestre de 2025, beneficiado por uma alíquota efetiva de impostos menor.
Na avaliação do Safra, o principal desafio da companhia será conciliar o avanço de sua participação no mercado com a recuperação das margens operacionais.
Por que o Magalu (MGLU3) pode voltar ao prejuízo?
O cenário projetado para o Magazine Luiza é diferente. Enquanto as lojas físicas devem registrar crescimento de 9% nas vendas, os canais digitais continuam pressionados pela concorrência.
O Safra estima queda de 8% nas vendas online próprias, modalidade conhecida como 1P, e retração de 11% no marketplace, ou 3P, que reúne vendedores parceiros.
Segundo a análise, parte do crescimento das lojas físicas está relacionada ao espaço deixado pela Casas Bahia após o fechamento de aproximadamente 300 unidades.
Apesar da redução nas vendas totais, o Magalu deve conseguir preservar sua
margem bruta
e melhorar a eficiência das
despesas operacionais
.
O Ebitda está projetado em R$ 708 milhões, com margem próxima de 7,9%. Ainda assim, o Safra estima prejuízo líquido de R$ 21 milhões, revertendo o lucro de R$ 21 milhões registrado no mesmo trimestre de 2025.
O desempenho deve refletir a fraqueza das operações, mesmo com a perspectiva de menores
despesas financeiras
.
O que esperar do comércio eletrônico?
A análise do Safra mostra que o crescimento das vendas não garante, necessariamente, uma melhora proporcional dos resultados.
No caso do Mercado Livre, os investimentos em logística, benefícios aos consumidores e expansão do crédito sustentam o faturamento, mas limitam o avanço da rentabilidade.
Para o Magalu, o principal desafio permanece na recuperação das vendas digitais, enquanto a companhia busca preservar margens e controlar despesas.
Assim, o terceiro trimestre deve apresentar trajetórias distintas para as duas varejistas, com o
Mercado Livre
mantendo o ritmo de expansão e o Magazine Luiza ainda buscando recuperar seus resultados no comércio eletrônico.
